O projeto tem como objetivos:

  1. Desenvolver e validar uma tipificação dos serviços dos ecossistemas florestais em Portugal Continental por concelho. Isto é, um mapa onde os concelhos são classificados em grupos homogêneos quanto à provisão dos Serviços dos Ecossistemas (exemplos: concelhos com um perfil florestal de conservação da biodiversidade e turismo de natureza, concelhos com um perfil florestal de produção lenhosa e sequestro de carbono)
  2. Desenvolver e validar metodologia integrada de avaliação biofísica e valoração de Serviços de Ecossistemas aplicável da escala local à escala nacional, atualizável, georreferenciada, utilizando dominantemente sistemas produtores de dados pré-existentes e integrada na aplicação ARIES – SEEA. Integração com critérios e indicadores de certificação., promovendo a articulação com o Procedimento FSC-PRO-30-006 – Ecosystem Services Procedure: Impact Demonstration and Market Tools;
  3. Desenvolver e propor um sistemas de incentivo à provisão dos serviços dos ecossistemas, atraindo financiamento público e privado, ajustados às tipologias dos sistemas florestais analisados.

Qual a importância da avaliação
dos Serviços dos Ecossistemas?

A Estratégia Europeia para a Biodiversidade (EEB 2030) sublinha a necessidade de aumentar o apoio comunitário e melhorar o enquadramento legal da avaliação dos serviços dos ecossistemas. Na Estratégia Florestal Europeia para 2030, que constitui uma das componentes da EEB 2030, é evidenciada a necessidade de incentivos financeiros para que os proprietários e gestores florestais assegurem a provisão dos serviços dos ecossistemas. No quadro dessa estratégia foram publicadas, em julho de 2023, orientações técnicas para a gestão sustentável das florestas e regimes de pagamento por serviços dos ecossistemasecossistémicos florestais.

A EEB 2030 assenta na ideia de que a crise da biodiversidade e a crise climática estão intrinsecamente ligadas, tanto nas causas como nas soluções, uma vez que as alterações climáticas impactam a biosfera e a utilização não sustentável dos recursos naturais tem impacto nas alterações climáticas. A EEB 2030 também considera imperativo que a atividade económica e a conservação do ambiente sejam coerentes e sinérgicos, promovendo benefícios sociais. A avaliação dos serviços dos ecossistemas tenderá a encontrar-se no centro desta estratégia.

A ONU adotou em 2021 o “Sistema ambiental de contabilidade económica e dos ecossistemas” (SEEA_EA)”, propondo assim um quadro estatístico para avaliar e valorar os serviços dos ecossistemas, integrando essas informações com a atividade económica. Portugal é um dos muitos países que se prepara para adotar o SEEA_EA.

A importância da avaliação dos serviços dos ecossistemas expressa-se também ao nível de atuação das empresas, associações e administração local. A avaliação e monitorização permite gerir e aumentar a eficiência na provisão de serviços dos ecossistemas, contribuindo para operacionalizar as macro-estratégias. Um exemplo que expressa essa importância é a certificação dos serviços dos ecossistemas florestais pelo Forest Stewardship Council (FSC).